quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Como morta


E ela estava tão atordoada, que não conseguia pensar, ele a perseguia depressa , andava, caminhava, corria, mas não tinha forças pra se distanciar, não sozinha!
Ela evitava olhar pra trás, temia olhá-lo nos olhos, temia enfrentar a escuridão do seu rosto feroz! Enquanto lágrimas vermelhas escorriam pelo rosto dela, ela buscava no pedaço roubado, forças pra fugir, continuar correndo...
Mas ele era veloz, e a alcançava pouco a pouco. Ela já não agüentava mais correr. Via suas pernas enfraquecendo, e perdendo energia ela parava devagar, caia devagar sobre seus joelhos rosados. Chorava. Gritava. Queria matar. Queria morrer!
Tentava mais uma vez buscar forças naquele pedaço, mas era tarde demais! Ele agora estava parado atrás do corpo inocente da pobre criatura jogada ao chão.
Aquelas asas negras agora insistiam em tocar seu rosto ... – Eu juro, juro que não foi minha intenção, mas entenda... eu precisava sentir como é ter um pedaço, eu não queria que tudo isso acontecesse, eu apenas desejava saber como é ter um! Ela sussurrava.
Ela mal conseguia olhar nos olhos dele, apenas via gotas vermelhas pingando no chão!
Nem ao menos teve coragem de dizer Adeus!
Ela entregou o que havia roubado e saiu.
Andou.
Correu. Sem que ninguém lhe perseguisse.
Nem percebeu que o coração roubado havia se incorporado ao seu espírito. Inteiro sem pedaços. O moço estava agora caído. O anjo caído, sem coração! E pensar que ela só queria um abraço, um beijo, um aperto de mão .Um pedaço usado, um roubado coração!

1 Comentários:

Anonymous Anônimo disse...

Perfect :)

16 de setembro de 2009 às 10:08  

Postar um comentário

Assinar Postar comentários [Atom]

<< Página inicial